Após denúncia de importunação contra delegado, comerciantes cobram rede de proteção a crianças

Um grupo de comerciantes informais esteve na Câmara Municipal de João Pessoa hoje de manhã para cobrar das autoridades a estruturação de uma rede de proteção às crianças que acompanham os pais que trabalham nas praias de João Pessoa. O protesto se deu depois que um delegado foi preso em flagrante por importunação sexual contra uma menina de 9 anos que estava no quiosque em que a mãe trabalha na Praia do Bessa.
“Viemos pedir Justiça sobre o caso que aconteceu domingo quando um delegado da Corregedoria importunou sexualmente uma criança. A mãe está com muito medo de perder seu espaço de trabalho por ele ser uma pessoa influente. Esse não foi um caso isolado e existem crianças com medo e depressão por terem vivido situações assim e por isso viemos denunciar e pedir que sejamos acolhidos pelos órgãos públicos porque as crianças estão correndo risco quando vão à praia trabalhar com a gente”, disse Márcia Medeiros, presidente da Associação dos Ambulantes e Trabalhadores em Geral da Paraíba.
O delegado Nilton José Alves foi afastado do cargo e negou as acusações. Ele responde a um processo administrativo por causa da denúncia e também foi aberta uma investigação sobre a queixa de importunação.
Na Câmara, os vereadores Marcos Henriques (PT), Jailma Carvalho (PSD) Odon Bezerra (PSB), Guguinha Moov Jampa (PSD) e Milanez Neto (MDB) formaram uma comissão para conversar com os representantes dos ambulantes.
“É um absurdo o que aconteceu na praia neste final de semana. Foi um caso que está tendo repercussão nacional. Precisamos fortalecer o sentimento de combate a essa prática de pessoas que vão à praia para humilhar, extorquir e assediar. Isso acontece de forma tão contumaz que assusta. O pior é que deve haver muito mais casos que não sabemos, por que a mulher ou a criança fica com medo ou envergonhada”, alertou o Marcos Henrique, presidente da Frente Parlamentar da Criança e do Adolescente na CMJP.
O vereador também ressaltou que as pessoas vítimas de assédio sofrem com a prepotência do agressor, que sempre ameaça com a expressão “sabe com quem está falando?”. “O delegado ainda teve a audácia de perguntar se sabiam com quem estavam falando, se vangloriando do fato de ser delegado. Como se os delegados não precisassem cumprir as leis. Essa realidade de impunidade precisa ser quebrada. As marcas de quem passa por uma situação de assédio são eternas”, arguiu.
“Dessa reunião, tiramos alguns apontamentos e vamos passar para a Polícia Militar e para a Frente Parlamentar que trata desse assunto nesta Casa, da qual sou presidente. Também vamos tratar de regulamentar a profissão dos ambulantes. Eles precisam de uma regulamentação que lhes garanta proteção social”, defendeu.
“O que me chamou atenção foi uma mãe gestante ter tido sua filha molestada por quem deveria estar cuidando e dando segurança a ela, um delegado de Polícia. Tenho certeza de que essa não é regra dos delegados e dos policiais, mas, esse cidadão precisa ser expulso da Polícia Civil, para que as pessoas voltem a acreditar em quem deveria protegê-las. Essa mãe, além de tudo isso, continua sendo ameaçada e tem medo de voltar ao seu trabalho, porque o cidadão ainda quer silenciar ela e outras vítimas”, disse o vereador Milanez Neto.
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