Política

Trump vai reeleger Lula?

Presidente americano só colheu derrotas eleitorais no exterior desde que foi eleito para o segundo mandato, e deu sobrevida ao governo petista

Foto: Daniel Torok/White House

Donald Trump (foto) conseguiu a façanha de retornar à Casa Branca após escapar de dois processos de impeachment. O republicano agita o mundo inteiro com suas tarifas adicionais e projeta influência para todos os lados, mas perdeu as eleições em que se envolveu no exterior desde que foi eleito para seu segundo mandato.

O apoio de Trump tirou votos de conservadores no Canadá, na Austrália, no México e na Groenlândia. Agora, o presidente americano parece ajudar Lula enquanto atua declaradamente em favor de Jair Bolsonaro.

A popularidade do governo petista vinha definhando desde o início de 2024, mas Lula conseguiu um respiro nas pesquisas de opinião depois de Trump anunciar o tarifaço. Pelo menos por enquanto, o confronto do presidente brasileiro com o americano parece aumentar sua aprovação.

Inflação

É de se imaginar que esse efeito tenha um limite, contudo. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 20, indica que a melhoria na popularidade de Lula também tem a ver com a percepção sobre a inflação.

“Depois de mais de um ano e meio, a parcela de brasileiros que percebe alta no preço dos alimentos caiu para perto de 60%”, analisou Felipe Nunes, diretor da Quaest. Na pesquisa de julho, 76% responderam que os preços subiram.

Quando os impactos econômicos do tarifaço forem de fato sentidos pela população, é possível que a avaliação sobre a forma como Lula lida com o assunto mude. É cedo, portanto, para dizer que Trump vai ajudar a reeleger o petista, mas é inegável que o tarifaço deu sobrevida ao governo.

E o desembarque?

União Brasil e Progressistas (PP) instalaram na terça-feira, 19, uma federação partidária que une 109 deputados federais e 15 senadores, as duas maiores bancadas do Congresso Nacional, sete governadores, 1.335 prefeitos, 186 deputados estaduais, quatro distritais e 12.398 vereadores.

Expoentes da federação, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o senador Ciro Nogueira (PI) discursaram pelo desembarque do governo Lula, no qual os dois partidos têm quatro ministros. Ladraram, mas não morderam, como vêm fazendo há meses, sem coragem de deixar de fato o comando dos ministérios.

Caso a desidratação do governo Lula não tivesse sido interrompida pelo tarifaço, talvez os membros mais reticentes da federação já não enxergassem motivos para permanecer na canoa furada.

Fim de festa

Lula, por sua vez, tenta aproveitar o prestígio momentâneo para evitar a debandada.

O petista se reuniu ontem com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), entre outros membros do partido, no Palácio do Alvorada.

Pereira protagonizou nas últimas semanas uma série de propagandas partidárias com críticas ao governo Lula, defendendo inclusive a privatização dos Correios.

O clima do governo Lula segue parecendo de fim de festa, mas Trump e a família Bolsonaro lhe deram algum fôlego, e os petistas já deixaram bem claro que vão aproveitar o presente o quanto puderem, por pior que isso venha a ser para o Brasil.

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