Banco Central lança a nova cédula de R$ 200,00, que tem na estampa um lobo guará. Colecionadores fazem fila para trocar por notas do novo valor. Sergio Lima 02.09.2020.

Auxílio emergencial deixará de ser pago em 31 de dezembro de 2020Sérgio Lima 

A população pobre no Brasil caiu 23,7% de 2019 a agosto deste ano, segundo estudo da FGV Social. O percentual representa 15 milhões de pessoas. O resultado, no entanto, está diretamente ligado ao auxílio emergencial, que foi concedido pelo governo federal para mitigar os efeitos da crise econômica causada pela pandemia de covid-19.

Com o fim do pagamento do benefício, em 31 de dezembro, esse contingente deve voltar à pobreza. “O retorno à pobreza dessas 15 milhões de pessoas é 1 cenário até conservador. O Brasil foi o país da América Latina que mais concedeu auxílio proporcionalmente ao seu PIB [Produto Interno Bruto], mas não era o que estava em melhores condições“, disse economista Marcelo Neri, coordenador do levantamento.

A explicação para a redução na pobreza está relacionada com o valor do auxílio. A faixa mais pobre da população recebe até 1/2 salário mínimo por pessoa. Essa quantia é inferior aos R$ 600 concedidos pelo governo em cada uma das 5 de 9 parcelas do benefício. As outras 4 parcelas são no valor de R$ 300.

O país teve generosidade, mas não sei se teve sabedoria. Vamos saber daqui a 1 ano“, disse Neri. “Há a retomada no mercado de trabalho, mas com muitas incertezas para o próximo ano. Não se sabe quando sai a vacina ou qual seria o impacto de uma 2ª onda de covid-19.

O Rio Grande do Sul foi o único Estado que registrou aumento no número da população pobre. Teve alta de 0,45%. Segundo Neri, o fato não é preocupante.

Lá a pobreza aumentou pouco. É 1 lugar que fez alguns ajustes, como na previdência, e está fazendo outros. É o 2º estado em número de idosos, perdendo apenas para o Rio de Janeiro. O auxílio emergencial está pouco presente no Rio Grande do Sul, assim como na região Sudeste, afirmou.

Segundo o levantamento, as maiores reduções foram no Nordeste (-30,4%) e no Norte (-27,5%). A população dessas regiões está entre as que mais dependem de auxílios federais para sobreviver. Em agosto, por exemplo, o número de beneficiários do Bolsa Família superou o de empregos com carteira assinada (o que exclui setor público) em 10 Estados das regiões Norte e Nordeste.

Só 3 Estados na região Norte (Tocantins, Rondônia e Roraima) e 3 no Nordeste (Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco) registram mais empregos formais com carteira que benefícios no programa.

Nove meses de auxílio correspondem a 9 anos de Bolsa Família. Agora virá o Renda Cidadã, mas não sabemos ainda em que patamares”, disse Neri, se referindo ao programa que o governo de Jair Bolsonaro estuda para substituir o Bolsa Família e o auxílio emergencial. O valor do programa, no entanto, não foi definido.

Poder360

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